Bem-vindos

Veja muito bem-vindo. Espero que estes textos possam confortar teu coração. Deus abençoe ricamente a sua vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

No terreno do coração

O poeta sacro para demonstrar a sua gratidão a Deus começa a sua canção com esta pergunta: “Como agradecer pelo bem que tens feito a mim, [...] as vozes de milhões de anjos não poderiam expressar a gratidão do meu pequeno ser que só pertence a ti”. Confesso que uma das coisas que mais tem ocupado meu pensamento é a gratidão que devo ter a Deus por todos os seus benefícios para comigo. Creio que devo demonstrar essa gratidão em todas as áreas da minha vida e em todas as circunstâncias em que me encontrar. Uma imagem que me vem à mente é a de Jesus Cristo que depois de ter curado dez leprosos que gritavam: “Jesus, Mestre, compadece-te de nós”, pergunta àquele que veio ao seu encontro, dando glória a Deus em alta voz, “não eram dez os que foram curados”? “Onde estão os nove”? Segundo informa o evangelista Lucas esse que voltou para agradecer era samaritano, como ele mesmo diz “um estrangeiro”. A gratidão sincera, verdadeira, é algo que deve estar e brotar dentro do coração. Convencido dessa verdade resolvi fazer no terreno do meu coração uma grande plantação de semente de gratidão. Espalhei, cuidadosamente, a semente por todo o terreno do meu coração, depois de tê-lo preparado bem. Animado com a possibilidade de fazer boas colheitas, pedi a Deus que me ajudasse a não perder nenhuma das sementes que foram plantadas, pois me foram todas muito caras. Em oração Lhe supliquei que, por bondade, visitasse todas as manhãs a minha plantação de gratidão e que as regasse com o orvalho da Sua misericórdia, e assim se fez. Fielmente todos os dias o Senhor Deus tem regado o terreno do meu coração com o orvalho da sua misericórdia. Nunca faltou nenhuma gota do orvalho divino para que no terreno do meu coração a semente de gratidão não brotasse. Acontece que muitas vezes não faço a devida colheita. Então, ao invés de encher os lábios de gratidão a Deus, murmuro. Todas as vezes que murmuro, o Senhor, por bondade, me avisa que isto é sintoma de ingratidão e falta de fé. Então, prostrado aos Seus pés Lhe peço perdão, e recebo no terreno do meu coração a brisa da Sua graça para recomeçar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Morre mais uma esperança brasileira

O relógio despertou cedo, e como era de costume aquele filho acordaria com a sua mãe dizendo: “levanta tá na hora de ir para a escola”. O filho, mais dormindo do que acordado, responde: “tá bom, já vou”. Não se esqueça de escovar os dentes, e desce logo para tomar o café, senão vai chagar atrasado na escola, e a direção manda outro bilhete, diz a mãe já impaciente. “Filho colabora, desce que o café está esfriando. A mãe ainda tem que ir ao mercado”. Já vou, já vou “pera” um pouquinho. Como era de costume, da casa até à escola, mais recomendações: “Filho tome cuidado, não faça isso, não faça aquilo. Ah, se alguém de oferecer drogas, o que você tem que dizer”. “Não quero. Obrigado. Não quero desagradar minha mãe, e nem me prejudicar”. “Isso mesmo filho, isso mesmo”, disse a mãe. “Pode deixar, sei o que quero para minha vida”, disse ele. Ao chegarem à escola, como era de costume, a mãe desce do carro. Abraça o seu filho e lhe deseja boa aula, e acerta o horário de pegá-lo na saída, “às 12h45, eu te espero no portão, beijos”. “Se cuida, vai com Deus”, e grita: “mãe não esquece o meu chocolate”. Segue pelo corredor que vai para a sua sala, cumprimenta alguns colegas. Na sala, senta-se do lado da janela. Abre a sua mochila. Como era de costume, um bilhete: “filho a mãe te ama, você é um vencedor”. Ele chora, chora porque vê o esforço da mãe para lhe dar boa educação e suprir a ausência do pai. Os colegas já estão na sala. A conversa era sobre o passeio de domingo no Maracanã. Como era de costume, ele não iria, mas sonhava em ser um grande jogar de futebol para dar para sua mãe tudo o que ela merecia. Uma casa grande, bem bonita, com piscina, empregados, e é claro um carro zero, de preferência importado. Ele sonhava. Eram 09h, e de repente um barulho, seguido de gritos de socorro. O barulho lhe era familiar. Era barulho de tiro, isso ele logo identificou, mas na escola... Sem ter tempo para saber o que estava acontecendo, foi alvejado com um tiro certeiro em seu peito, sem forças para esboçar qualquer reação, caiu morto. Na sua carteira o seu sangue escorria pelas folhas do caderno, em suas mãos o bilhete: “filho a mãe te ama, você é um vencedor”. Vítima de violência injustificada, morreu o menino e o seu sonho, morreu também o sonho de uma mãe guerreira. Amados, morreu mais uma esperança brasileira. Esse menino poderia ser o nosso filho, essa mãe poderia ser você irmã, essa escola poderia ser a que os nossos filhos estudam. Minha oração é que Deus conforte o coração dessa mãe, que ela tenha em mente que o seu filho é um vencedor. Que Deus cubra com a Sua graça e misericórdia cada um dos nossos filhos nesse mundo tenebroso.

Flores na Radial Leste

A “Radial Leste”, assim batizada pelos moradores da região, é uma importante via da Cidade de São Paulo, cruzando todo o eixo leste até o centro. Ela facilita a vida dos moradores da região. Os bairros de Itaquera e Guaianases, por exemplo, são conhecidos como “bairros dormitório” porque a maioria dos seus moradores trabalha no centro ou em outra região, vindo para casa apenas para dormir, veja como ela é importante. Ao ouvirmos falar da “Radial Leste”, as coisas que vem em nossa mente estão sempre associadas prioritariamente ao trânsito caótico de São Paulo. É verdade que nela o trânsito é intenso, quase insuportável no horário de pico. A lista de acidentes diários é impressionante, e eles são de todos os tipos e acontecem todas as horas. Estatisticamente o número de atropelamentos, colisões e acidentes fatais envolvendo principalmente motoqueiros é assustador. A “Radial Leste” ficou famosa e semanalmente aparece nos noticiários televisivos de emissoras diferentes. Além das marcas negativas que tem de carregar sobre seus ombros por conta da violência do trânsito, somasse ao seu curriculum vitae os problemas com a natureza, ou seja, choveu ela fica alagada. Amados, por mais de treze anos ininterruptos enfrentei a “Radial Leste” de segunda a sexta-feira, 50 km por dia, levantando às 05h30 da manhã para levar meus filhos ao Mackenzie. Realmente vi muitos acidentes, alguns tão feios que prefiro não comentar. Graças a Deus não provoquei nenhum acidente, mas sofri um. Felizmente tive apenas prejuízo material. Nesses anos que Deus me permitiu atravessar a “Radial”, Ele bondosamente trabalhou comigo. Por muitas vezes, Deus me fez ver belas flores. Sim belas flores nasceram em meio os concretos que separavam as vias. Em meio a todo o tipo de poluição lá estavam elas enfeitando a “Radial” com a singeleza das suas cores e resistindo a chuva, ao frio e ao calor mostravam a força para viver. Foi então que pude perceber que Deus estava abençoando os meus olhos para eu pudesse ver coisas maravilhosas em meio ao caos. Lembrei-me da música “nos galhos secos”, e, chorando de alegria, agradeci ao Pai pela lição aprendida. Irmãos, se Deus nos permite ver que flores nascem na “Radial Leste”, sem que ninguém é claro as plantasse, é porque Ele quer que vejamos as coisas maravilhosas que Ele tem feito em nossas vidas, a despeito do caos que muitas vezes nos cercam.

sábado, 2 de abril de 2011

Lembranças são como as ondas do mar

Acometido por profundas saudades da minha filha Rebeca, encontrei na lembrança excelente remédio para curar a dor que sentia. Como me fez bem recordar os momentos que desfrutamos juntos. A minha mente trazia à memória momentos vividos de maneira tão real que era como se estivessem acontecendo novamente com a mesma intensidade de antes. Como raios em dias de fortes chuvas, as lembranças começaram a disparar em minha mente. Lembrei-me do seu jeito bebê de ser, dos seus primeiros passos, do dia que me chamou pela primeira vez de pai, do sorriso que desenhava no rosto ao ver na cama a boneca que queria ganhar. Lembrei-me das etapas acadêmicas desde o Jardim, quando escreveu meu nome – com letra de médico – em uma folha de caderno, até a sua Graduação em psicologia. Lembrei-me do tempo em que a carregava no colo para irmos à IP Filadélfia, em São Caetano, do seu batismo na mesma igreja, da sua pública profissão de fé, na IP Parada XV de Novembro, do seu empenho como professora de adolescentes, do seu compromisso como uma das organizadoras dos eventos da IP Itaquera, do seu profissionalismo nas empresas que trabalhou, e das noites que ia buscá-la na estação Arthur Alvim. Claro, lembrei-me do dia 27/12/2010, no aeroporto de Guarulhos. Nesse dia estávamos juntos, ela com pouca bagagem e muitos sonhos no coração, eu quase sem coração. Contra mim o tempo, pois em menos de 2 horas, 26 anos de convívio seriam interrompidos pelo abismo de 1 ano de ausência que se estabeleceria entre nós. Ela embarcaria para os Estados Unidos em busca dos seus sonhos, eu ficaria sonhando com a sua volta. Amados, que privilégio é poder ter na memória lembranças de momentos que marcaram a nossa vida, e poder recorrer a eles quando a dor da saudade apertar o nosso peito. Creio piamente que ter lembranças é um presente que Deus bondosamente nos dá. Comparo-as com as ondas do mar, que batendo todos os dias nas pedras das encostas vão lapidando-as. Assim, as nossas lembranças vão lapidando as nossas saudades dia a dia. Quando a saudade aumenta a lembrança vem como as grandes ondas do mar, envolvendo-nos com seu bálsamo refrescante, confortando o nosso coração. Queridos é uma bênção recordar os bons momentos que vivemos. Agradeça a Deus pelas lembranças que você tem, lembranças que Ele perpetuou em teu coração, gravando-as em tua memória para o teu bem.